segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

COLEIRA

Basta dar uma rápida leitura nos comentários postados no Facebook para ficar evidente a prática ostensiva e ferina de um bulling político, ressuscitando assim a velha prática da famigerada patrulha ideológica.  
 
Termos como "reaça", "coxinha" e tantos outros são arremessados contra qualquer um ao menor sinal de discordância do discurso militante orquestrado. O ato do livre pensar tornou-se um crime de lesa pá...tria. Recentemente um desses militantes de coleira ideológica atribui-me o surrado jargão de anti-comunista. De fato, comunista não sou, nunca disse que era.
 
Tenho também minhas dúvidas se o interlocutor que me qualifica o é. Decorar textos e mantras partidários e ser versados em autores marxistas não é suficiente, na minha opinião, para transformar qualquer um em comunista. Esta nova geração que devora livros e dogmas abriu mão do livre pensar e colocou-se aos pés de lideranças de atitudes questionáveis, não pelo seu discurso político, mas sim pelos seus criminosos atos.
 
Fundamentalistas que se tornaram, esses militantes de nada diferem dos adeptos da Jidah ou de certos cultos e seitas. Simplesmente abriram mão do seu livre arbítrio e colocaram sua inteligência, muitos de forma mercenária e recompensadora a serviço de déspotas corruptores. A independência crítica muitas vezes é o que resta como ferramenta para manter maus governantes nos limites da decência.
 
Ao vestir a coleira o militante abre mão de sua ideologia. Não é o militante que deve fidelidade ao seu líder. É o seu líder que deve fidelidade ao militante. Que triste...

LIFE'S A BITCH

Life's a bitch, if you want to fuck, pay the price. Or spend their existence masturbating and save your money ...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O PORTEIRO DE AUSCHWITZ

O PORTEIRO DE AUSCHWITZ

Dos demônios que nos habita, nenhum é mais cruel do que o da mediocridade...

Adolf, o porteiro, tinha suas próprias conclusões a respeito do que teria se passado nos campos da morte do regime nazista.
Não lhe restava dúvida alguma sobre a farsa transformada em tragédia pelos ignóbeis judeus.

Ah, esses judeus, sempre ardilosos e manipuladores, pior que eles, só os negros...
e homossexuais. Divertia-se imaginando um judeu negro e homossexual.

Para convencer e comover o mundo que os judeus eram capazes de tudo. Adolf, o porteiro, sabia de toda a verdade.

Eles, os malditos, em nome da usura, característica notória da espécie, provocaram deliberadamente a segunda guerra mundial e, como covardes que são, esconderam-se nos campos de concentração, verdadeiros Spas, onde freqüentavam animados bailes, concertos e bibliotecas da mais fina estirpe, enquanto suas crianças, cuidadas por zelosos oficiais da SS, freqüentavam luxuosas creches, ao tempo exato em que, a Alemanha nazista pagava o preço de uma violenta guerra causada pelos judeus e que veio a destruir o país.

Malditos judeus, malditos! Resmungava Adolf, o porteiro. Ele sabia que cabia a ele limpar a memória nazista maculada pela mentiras contadas pelos semitas.

E ele o faria munindo-se de farta documentação escritas pelos mais idôneos historiadores que ele pode encontrar e resgatar do limbo da internet. Passou então a divulgar a verdadeira história da segunda guerra mundial e dos campos de extermínio que os judeus tentaram esconder por anos.

Na verdade ele se via como um herói intelectual do reich hitlerista.

Mas nem tudo era fácil para o pequeno Adolf, o porteiro.

O braço judeu era longo e poderoso, e estava sempre criando constantes dificuldades para ele.

Assim ele entendia a razão dos seus fracassos. No entanto, apesar de tudo, nada o deteria, estava resolvido. Tinha consigo uma missão de vida.

Sonhava com a volta do regime nazista onde homens como ele tinham seu valor reconhecido.
Afinal, onde mais um fracassado como ele teria seu valor reconhecido?

Imaginava-se num uniforme negro, com duas caveirinhas na lapela, calçando duas botas de couro que prenderiam suas calças estufadas.

Talvez até deixasse crescer um pequeno bigode, assim, como se fosse uma homenagem.

Adolf, o porteiro, era assim. Um sonhador...
 


 


Dos demônios que nos habita, nenhum é mais cruel do que o da mediocridade...


 

                  

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O OVO DA MINHOCA...

Três coisas definem um idiota e todos nós, sem exceção, carregamos pelo menos uma delas. Não vou facilitar para ninguém enumerando ou comentando qualquer uma delas. O preço da razão é a eterna vigilância!
 

Vivemos tempos difíceis. A propagada estabilidade econômica prostituída com financiamento público bateu de frente com a realidade de nossos gargalos sociais e econômicos e em conseqüência disso os protestos deixaram as redes sociais e ganharam as ruas.

O cidadão sem coleira partidária formou as primeiras multidões que encheram as ruas e nossos olhos. A democracia estava exposta a céu aberto. Assustados e finalmente sem palavras, os políticos assistiram o desfile pelas redes de televisão.
 

A ocasião faz o ladrão acreditam alguns e passado o primeiro impacto começaram a surgir bandeiras partidárias e grupos com seus integrantes usando máscaras. Os primeiros foram de cara hostilizados pelos manifestantes de primeira hora enquanto o segundo grupo passou sistematicamente a promover a violência, quebrando, depredando e enfrentando a polícia, que despreparada jogou todos os manifestantes na vala comum. Não temos uma polícia cidadã. Temos uma policia militar.
 

As manifestações não pararam e em cada uma delas surgia e surge ainda o grupo encapuzado, depredando, quebrando, enfrentando a polícia e agora, matando. 

A violência é o discurso do idiota. Nem sempre física, a violência encontra morada também nas palavras. Alias, registre-se, é por meio delas que o pensamento violento se reproduz e se propaga.
O idiota é o avatar perfeito para prática da violência gerada pelo ódio, este, o combustível do fracassado. Um fracasso não econômico necessariamente, mas com certeza como ser humano. 

O anonimato é em geral o uniforme do idiota que em tempos de redes sociais escapuliu de sua mediocridade individual e ganhou o mundo. A impunidade sugerida pelo anonimato despertou em alguns desses idiotas uma coragem que desconheciam para a vida.

Se na culta Europa a serpente bota seus ovos, em terras brasileiras as minhocas nada devem...

DEMÔNIOS INOCENTES

Dos demônios que nos habita,
nenhum é mais cruel do que minha inocência...

50 TONS DE CLOROFILA


O mundo não é mais o mesmo. A comunicação instantânea, redes sociais e ferramentas de busca e pesquisa mudaram para sempre o intelecto das novas gerações, para pior, óbvio!   

Deste surrado avatar que habito a cinqüenta e quatro anos vislumbro admirado, a capacidade, ou como queiram alguns, a falta desta, de interpretar. Imagino se ainda é possível aos publicitários passar mensagens subliminares.

O entendimento de metáforas de baixa complexidade se tornou um exercício inexpugnável para um exercito de formadores de opinião em blogs e afins.

Ler um texto não significa necessariamente entender o texto. A metalinguagem se tornou uma ciência morta. Significado e significante nada mais significam! Estamos na era da semiologia radical, somente sobreviveram os símbolos de forma chapada e objetiva.

Imagino o problema quando médiuns tentarem psicografar mensagens enviadas do além, resumidas a conceitos quase rupestres, .

Não existem saídas mágicas para reverter esta situação e o caminho da educação é lento e gradual.

Pode-se até ensinar alguém a ler e escrever em poucos dias, no entanto, ensinar a compreender e entender o que se esta lendo demanda muito mais tempo e, infelizmente, a vontade de querer fazê-lo.

Vale lembrar que existem mais de 50 tons de clorofila, não é necessário que analfabetos funcionais morram de fome aos milhares. Basta entender a variação do capim na escala tonal...

Gustavo Durlacher

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MAS QUE BOSQUE!

No início desta manhã, o corpo de bombeiros em operação conjunta com o  Grupo de Operações Especiais da Policia Militar do Estado de São Paulo, contando com apoio de voluntários nativos, conseguiu lograr êxito no resgate de seis turista que haviam se perdido no Bosque  dos Artistas, localizado no complexo do Parque Linear na cidade de Jaguariúna. Em depoimento exclusivo, os resgatados afirmaram que apesar de exploradores experientes, devido às condições climáticas e ao tamanho da reserva ambiental acabaram por se perder. Ainda de acordo com um dos flagelados, que não quis se identificar, o canibalismo não foi uma opção descartada. De fato, os sobreviventes estavam com intensa desidratação e aparentando fortes sinais de inanição. Não é a primeira vez, desde a criação do Bosque dos Artistas, que o serviço de resgate de emergência é acionado, há cerca de poucos meses um grupo do Batalhão de Selva, em treinamento no local, teve um de seus soldados desaparecido por cerca de dez dias. Quando encontrado, o militar disse que sobreviveu apenas graças ao rigoroso treinamento que recebeu e que chegou a fazer coisas das quais não se orgulha, contudo que foram necessárias à sua sobrevivência. Com mais este episódio, espera-se que o Prefeito Gustavo Reis crie junto ao Bosque dos Artistas, dentro do Complexo do Parque Linear, uma base de operações fixa, que possa estar orientando e monitorando os naturistas que por lá se aventuram. Os artistas que contribuíram com a doação de árvores para a criação daquele inferno verde e o ISSQN (imposto sobre serviços) relativo aos shows realizados na cidade não foram localizados para comentar o assunto.

Gustavo Durlacher

quinta-feira, 30 de junho de 2011

PARADOXO É ISSO!

O velho sempre tinha razão. Teve razão a vida inteira. E aí de quem ousasse discordar do velho, além de entrar na lista dele, ainda era submetido a argumentações intermináveis, com requintes de crueldade, até que inevitavelmente e invariavelmente houvesse a rendição, diga-se incondicionada, à opinião do velho. Burrice era discordar! Com o passar dos anos o velho, óbvio, ficou mais velho. E, com a velhice, passou a falar sozinho, cada vez mais e mais. Além do afastamento natural das pessoas, que embora nutrissem um profundo carinho pelo velho, não mais tinham a paciência de outrora, a solidão, velha companheira de quem está ou se sente sozinho (!), impôs ao velho o hábito de falar sozinho. De falar sozinho consigo mesmo aos debates foi um pulo. Estes, cada vez mais acalorados levaram o velho a uma encruzilhada: Numa destas discussões acaloradas consigo mesmo ousou discordar da opinião proferida e aí, depois disso, nunca mais terminaram as argumentações...

Gustavo Durlacher
30/06/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SOBRE MILAGRES

Com tantas opções para se chegar a deus, não é de espantar a proliferação de milagres que vem atingindo o imaginário popular bem como nosso universo político. Com relação ao primeiro grupo me auto-exonero da obrigação de comentar, agnóstico que sou. Já quanto ao segundo, estando devidamente qualificado na minha condição de eleitor, me permito argumentar um tanto, pois não? Recentemente a imprensa nacional veiculou o milagre ocorrido na multiplicação dos bens de Antonio Palocci, ex-deputado e atual Ministro chefe da casa civil da presidência da República, cujo patrimônio teria aumentado em 20 vezes entre os anos de 2006 e 2010 (de R$ 375.000,00 para cerca de R$ 7.500.000,00), período em que adquiriu dois imóveis pela sua empresa, Projeto (um apartamento no valor de R$ 6.600.000,00 e um escritório por R$ 882.000,00, na capital paulista. Naquele lapso de tempo, enquanto deputado Palocci, ele também prestava consultoria a empresas. Nem todos concordam que tenha havido um milagre nesta multiplicação patrimonial pelo simples fato de ser fruto de um trabalho mundano e usualmente praticado por outras celebridades políticas. De fato, o é! Diga-se que sendo milagre ou não, o crescimento patrimonial exarcebado em curto espaço de tempo, tendo como pressuposto a prestação de consultorias por políticos enseja a nuance de no mínimo existir certo conflito de interesses. Recentemente divulgou-se pela imprensa ser de R$200.000,00 o preço por palestra dada pelo ex-presidente Lula. Mas voltando a questão dos milagres, estes não se restringem a evolução meteórica de patrimônios de políticos. Observa-se também na questão do conhecimento, assim que assessores que sequer sabem escrever este vocábulo passaram a “acessorar” políticos, estes ávidos em contribuir para o fim do desemprego nacional. Também verificamos o milagre da transformação de meras reformas em obras onde se inaugurara o já inaugurado há tempos como se novidade fosse. Em nosso dias, apesar do marketing, graças a uma imprensa livre conta-se o milagre  e se diz o nome do santo. Já acreditar nestes, nem é uma questão de fé...

Gustavo Durlacher        

terça-feira, 19 de abril de 2011

SEMPRE OPORTUNO

No caminho com Maiakovski
                (fragmento)

"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

Eduardo Alves da Costa


Trecho de Sermão
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar.
Martin Niemöller (pastor luterano, alemão, 1933, época do nazismo)



Ambos os textos retirados do site: http://www.revista.agulha.nom.br/autoria1.html

sábado, 4 de setembro de 2010

CONVERSA DE CORPO

Eu cheiro você, eu sinto seu medo
Não tem dor como a incerteza
Você pode não me ver
Mas pode me sentir
Faça isto, faça isto, por favor faça-me viver
Deixe minha alma ir para as estrelas
Eu não preciso dela agora
Nossos corpos são suficiente para mim
Conte seus segredos
Não importa , eu descobrirei
Em nossa conversa de corpo

Conversa de corpo
Conversa de corpo
Nenhuma palavra, nenhuma alma
Apenas uma conversa de corpo


O prazer é nosso idioma
E o mel é nosso sangue
Nos modos de seu corpo
Eu perdi minha razão
E eu encontrei minha loucura
Minha língua percorre você
Enquanto você delira
Em um delírio de suor, de prazer
Nós buscamos a perfeição
Eu conheço seu corpo
E você conhece o meu
Porque nós temos já conversamos

Conversa de corpo
Conversa de corpo
Nenhuma palavra, nenhuma alma


Apenas uma conversa de corpo